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Tragédia em estádio egípcio deixa ao menos 74 mortos

Pelo menos 74 pessoas morreram e outras centenas ficaram feridas em conflito entre as torcidas de Al Masry e Al Ahly, ocorrido ao fim de partida válida pelo Campeonato Egípcio em Port Said.

Com o apito final, os torcedores do time da casa invadiram o campo e atacaram jogadores e torcedores do Al Ahly, resultando no sufocamento e no pisoteamento de centenas de pessoas. Além disso, a batalha se expandiu para o lado de fora do estádio.

O Al Masry venceu por 3 a 1 de virada, naquela que foi a primeira derrota do Al Ahly na Premier League Egípcia. Na comemoração pelo resultado, a torcida local pulou o alambrado e entrou em campo, correndo em direção a torcedores e jogadores do time visitante para atacá-los. 

A maioria das pessoas que morreram foram pisoteadas ou tiveram ferimentos na cabeça, mas há relatos de pessoas esfaqueadas.

Os jogadores do Al Ahly ficaram presos no vestiário, junto com os torcedores do time, e a polícia de choque teve que ser chamada para impedir os torcedores do Al Masry de invadirem o local. 

“As forças de segurança nos deixaram, não nos protegeram. Um dos nossos torcedores morreu no vestiário, na minha frente”, afirmou o veterano meio-campista Mohamed Aboutrika, do Al Ahly. 

"Isso não é futebol. Isso é uma guerra e as pessoas estão morrendo na nossa frente. Não há movimento e não há segurança, não há ambulâncias", disse Abutrika ao canal de TV do Al Ahly. "Essa é uma situação horrível e hoje nunca pode ser esquecido". Ele afirmou que o jogo de hoje será o último de sua carreira. O meia tem 33 anos.

A crítica do meio-campista Mohamed Barakat foi ainda mais grave. Para ele, os jogadores também têm culpa por continuarem jogando nessas condições. “As pessoas morreram, estamos vendo os cadáveres agora. Não há segurança pessoal para nos proteger. Foi um erro nosso porque disputamos essas partidas. As autoridades têm medo de cancelar a liga porque elas só pensam no dinheiro, e não na vida das pessoas”, disse o meia.

Segundo o repórter Rawya Rageh, da Al Jazeera, reportou de Cairo que diversos jogos de futebol tiveram problemas de violência após a primavera árabe, devido à ausência de policiais nos locais das partidas. 

"Na brecha de segurança que dura desde a revolução, a força policial praticamente desapareceu das ruas depois do seu notório desempenho durante os confrontos [da primavera árabe]", disse o jornalista na rede de TV da região.

Por conta da ocorrência em Port Said, a partida entre Zamalek e Ismaily foi adiada ao fim do primeiro tempo, no Cairo. A partida estava empatada em 2 a 2.

Atualização às 19h31

O Exército egípcio mandou dois helicópteros para o estádio de Port Said e ajudaram na evacuação da delegação e de torcedores do Al Ahly. Os jogadores e o técnico, o português Manuel José, foram levados a um quartel e já estariam em segurança.

No entanto, as consequências do caso ainda não terminaram. Segundo a imprensa egípcia, Ittihad e Smouha, dois clubes de Alexandria, anunciaram que não disputarão o resto do campeonato. Jornalistas locais pressionam a federação a suspender o campeonato até a situação no país se normalizar.

Atualização às 20h06

Relatos de quem esteve no estádio dão conta que os vestiários se transformaram em enfermarias improvisadas, como em um campo de batalha. No Cairo, houve focos de incêndio no estádio após a interrupção de Zamalek x Ismaily. As autoridades ainda não sabem se foi um acidente ou um evento provocado pelos torcedores. A federação egípcia anunciou que a liga local está suspensa por tempo indeterminado.

A Irmandade Islâmica, um dos grupos políticos ligados às manifestações da Primavera Árabe de 2011, acusou a polícia pelo "vácuo de segurança". O Congresso convocou uma seção de emergência para esta quinta, onde será discutida a tragédia de Port Said.



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